Celular demais pode causar obesidade infantil

Atualizado: Jun 4

A obesidade já é uma epidemia no Brasil e um em cada cinco brasileiros (adultos e crianças) já é obeso. Enquanto metade dos adultos apresenta sobrepeso, uma em cada três crianças também está acima do peso ideal. E, se os índices continuarem crescendo, em 2022 quase metade dos pequenos sofrerá com a obesidade infantil.


Dentre os principais vilões do aumento de peso e da diminuição da qualidade de vida das crianças está a correria do dia a dia, o acesso à tecnologia - com a popularização de celulares, computadores e tablets -, a falta de horários e cardápios adequados para uma alimentação saudável preparada em casa e a falta de incentivo à prática de atividades físicas. Todos esses fatores contribuem para que as famílias sofram, cada vez mais, com problemas provocados pelo sobrepeso e obesidade.

Mas o que tem a ver o uso do celular?

O tempo de uso de telas está diretamente ligado ao ganho de peso em crianças, à qualidade do sono e à produção de hormônios importantes para o desenvolvimento físico e intelectual. Esse contato com as luzes das telas confunde o relógio biológico deixando o cérebro em alerta. Dessa forma, a criança demora a dormir, acordar mais e descansa menos, o que pode levar a problemas de comportamento e atenção às aulas, além de prejudicar a memória.


A longo prazo, o tempo e qualidade do sono quando inadequados podem desregular a produção de alguns hormônios importantes que terão sua produção comprometida como a melatonina, que prepara o corpo para um sono de qualidade e reparador; a leptina, que participa dos mecanismos de controle da saciedade; o GH, hormônio do crescimento. Há ainda, aumento de outros hormônios como o cortisol, que é relacionado ao estresse, e da grelina, que aumenta o apetite.

Uma criança que dorme mal está ainda vulnerável ao aumento da oportunidade de comer, a um prejuízo na termoregulação, tem mais fadiga, tem mais ganho de peso. E a criança que já está obesa, também terá o sono pior, pois pode desenvolver episódios de apnéia, formando um ciclo vicioso entre sono ruim e obesidade. Esse processo também ocorre em adultos obesos.


Então qual o tempo ideal de acesso?

As crianças têm exposição média ao celular/tablets e TV de até 4 horas diárias, quando o ideal seria no máximo uma hora para crianças com até 5 anos de idade. A partir dos 6 anos, é importante que o tempo de tela não ultrapasse o tempo de atividade física diária. Além disso, é muito importante a atenção ao conteúdo acessado e o horário em que é feito.


O que os pais devem fazer?

No caso de crianças e adolescentes, além de controlar o tempo de tela, é necessário que os pais criem uma rotina interessante de convivência familiar valorizando hábitos saudáveis como o preparo de refeições de maneira caseira, deixando de lado os industrializados e fast foods, priorizando o consumo de alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais. Também é fundamental que os pais deem o exemplo sobre a prática regular de atividade física, que ajuda as crianças tanto no desenvolvimento físico, como no social e emocionalmente.


É muito importante que os pais levem os filhos ao médico para realização de exames e avaliações clínicas que vão auxiliar no diagnóstico precoce de doenças ou distúrbios. A obesidade não é apenas uma questão estética, é uma doença crônica que pode desencadear outros problemas de saúde e deve ser levada à sério. Seja qual for a idade, os pacientes com obesidade precisam de ajuda, orientação e podem ser medicados quando necessário, mas apenas o endocrinologista pode prescrever o tratamento mais adequado.

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